Para assinalar os 10 anos do Laboratório da Paisagem, foi-nos lançado o desafio de criar um livro que desse visibilidade aos eixos estratégicos da instituição — a relação entre ciência e a comunidade, o impacto no território e a sustentabilidade — e que, ao mesmo tempo, documentasse a sua história, organização interna e visão para o futuro. De forma a demarcar estes dois momentos foram acrescentados dois capítulos fotográficos com imagens de Lais Pereira registadas ao longo de diversas expedições pelo concelho de Guimarães. Na primeira série, apresenta-se uma leitura transversal sobre a paisagem vimaranense, revelando lugares menos óbvios e acrescentando novas imagens ao imaginário visual da cidade. Na segunda parte do livro, as imagens incidem sobre o edifício do Laboratório e a sua envolvente, como o rio Selho e a veiga de Creixomil, sendo pontuadas por páginas em branco que deixam, simbolicamente, espaço ao que ainda está por vir.
Graficamente, as soluções que encontrámos assentaram numa lógica de funcionalidade e sustentabilidade, em coerência com os valores do Laboratório. Optámos por um formato pequeno e fácil de manusear, que garante maior eficiência no uso do papel e reduz desperdícios. Os papéis utilizados são provenientes de florestas geridas de forma responsável. A encadernação em capa dura permite uma abertura total do livro e prolonga a sua durabilidade. No interior, uma tipografia generosa assegura uma leitura confortável, com distinção gráfica para os textos autorais. A paginação segue uma lógica pouco convencional: os textos em inglês, a castanho, ocupam as páginas esquerdas, enquanto os textos em português, a verde, surgem à direita — criando um total de 508 páginas, embora numeradas apenas até à 431. Elementos em verde fluorescente — como o fitilho, a costura e o requife — introduzem um contraste com o verde-escuro da capa, reforçando a identidade cromática da instituição.
O resultado é um objeto editorial funcional e alinhado com os princípios do Laboratório da Paisagem. A presença da fotografia — primeiro como leitura do território, depois como registo do quotidiano institucional — estabelece um fio condutor que enriquece e complementa a compreensão dos textos. Os capítulos fotográficos são impressos em papel couché, permitindo maior definição das imagens a cores, e os restantes cadernos, impressos em papel mate, apresentam apenas texto ou imagens a uma cor, o que permitiu reduzir o número de chapas de impressão. Este livro é, assim, simultaneamente um documento de celebração, uma ferramenta de comunicação e uma peça editorial pensada para durar — e acompanhar os próximos capítulos desta história.